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Vice-prefeita rompe com governo Lapena e dispara denúncias: ‘não vou compactuar’

Foto do escritor: Carla Kamel
Carla Kamel
18 de mar.
4 min de leitura

Saída de Meire Laurindo da Secretaria mostra crise interna, com acusações de pressão política, ‘funcionário que não trabalha’ e decisões sem critério técnico; entenda o que ela revelou:

Meire denuncia crise política em Araraquara e expõe falhas na gestão municipal / Foto ilustrativa: reprodução redes sociais.
Meire denuncia crise política em Araraquara e expõe falhas na gestão municipal / Foto ilustrativa: reprodução redes sociais.

A vice-prefeita de Araraquara, Meire Laurindo (União Brasil), oficializou sua saída do cargo de secretária de Desenvolvimento Social, em uma decisão que mostrou grave crise interna na administração do prefeito Lapena (PL). A exoneração foi formalizada na última sexta-feira (13) e ocorre em meio a uma série de denúncias feitas pela própria vice-prefeita sobre a condução do governo.

 

Apesar de deixar a função, Meire segue como vice-prefeita eleita. Em entrevista a uma emissora da rádio da cidade (VEJA), ela criticou a falta de transparência, influência política em decisões técnicas e centralização de poder. 


O estopim para a decisão foi a exoneração de Carlos Alberto Ferreira, então secretário de Meio Ambiente e também cunhado de Meire. Segundo ela, a substituição não teve base técnica, mas sim motivação política — algo que, segundo suas declarações, já vinha ocorrendo em outras áreas da administração.

 

Exoneração política e divergências éticas

Meire Laurindo rebateu, durante a entrevista (veja, AQUI), a interpretação de que sua saída estaria ligada apenas à relação familiar com o ex-secretário. Em suas palavras, o problema é mais profundo e envolve divergências éticas com a atual gestão.


 “Eu não vou compactuar com coisas que eu não concordo, porque eu tenho princípios, valores e de certa forma, ao longo deste período que estou com a gestão tenho acompanhado diversos fatores que não me descem na garganta”.


 Ela destacou ainda que já considerava deixar o cargo, inclusive quando assumiu interinamente a prefeitura. “Não é de agora que eu já queria deixar a secretaria. Quando assinei como prefeita interina, já havia nomeado a minha subsecretária e sinalizado que ela poderia assumir o cargo”.

 

“Inclusive ela tocou a secretaria no meu lugar sem receber nenhum centavo”.

 

Contradições financeiras e críticas à gestão

Um dos pontos mais sensíveis levantados por Meire diz respeito às contradições financeiras da administração municipal. Ela afirma que o governo alegou estar no limite prudencial para justificar a impossibilidade de pagamento à subsecretária. “Eles alegavam que não existia a possibilidade de pagar enquanto já estavam no limite prudencial”.


Ao mesmo tempo, a vice-prefeita questiona o pagamento de salários a pessoas que, segundo ela, não cumpririam suas funções. “A prefeitura reclama de pagar dissídios para servidores, mas paga salário de chefe de gabinete que nem aparece para trabalhar”.

 

Denúncia de funcionário ausente

Entre as acusações mais graves está a denúncia contra o chefe de gabinete, Pedro Evangelista Monteiro Neto, apontado por Meire como ausente de suas funções. “O Pedrinho não ia trabalhar e quem fazia a função dele era um servidor de carreira e muitas vezes a secretária de comunicação”.


Ela ainda reforçou a crítica ao questionar a rotina do servidor: “Ele mesmo pode falar quando comparecia, que horas ele trabalhava, onde ele estava”.

 

Centralização de poder e falta de autonomia

Outro ponto central das críticas é a suposta centralização de decisões nas mãos do secretário de Governo, Leandro Guidolin. Segundo Meire, ele seria o responsável direto pelas nomeações e estruturação do governo. 


“O governo quem montou foi o Leandro Guidolin. Todas as nomeações foram decididas por ele”.


A vice-prefeita afirma ainda que nunca participou dessas decisões: “Nunca fui chamada pelo prefeito para montar governo ou participar de decisões”.

 

Ela também relata que havia pressão constante para a saída de Carlos Alberto Ferreira.

“O Guidolin fazia pressão contra o Carlos para ele sair, dizendo que vereadores queriam a cabeça dele”.

 

Influência política nas decisões

Meire também trouxe à tona um episódio envolvendo diretamente o prefeito Lapena, que, segundo ela, teria admitido que a exoneração do secretário de Meio Ambiente ocorreu por motivos políticos.


 “O prefeito me disse que precisava exonerar porque era um pedido do vereador Prado (NOVO) e que precisava atender uma questão política”.


 A vice-prefeita afirma que procurou vereadores da base para verificar a situação. “Falei com vereadores que disseram que não haviam pedido a saída, mas que tinham dificuldades relacionadas a demandas como remoção de árvores”.


Ela critica o que considera uma prática recorrente na gestão: “Não é de hoje que vejo substituições sem levar em consideração a questão técnica, mas para atender vereadores”.

 

 Falta de diálogo e isolamento político

Outro ponto destacado por Meire Laurindo foi o que classificou como isolamento dentro da própria administração. Segundo ela, não havia diálogo com o prefeito nem participação nas decisões estratégicas. “Eu nunca participei de uma decisão de nada”.


 Ela afirma ainda que sequer era informada sobre agendas institucionais: “Não sabia se a cidade receberia deputados, nunca fui convidada”. Mesmo assim, garante que sempre cumpriu suas funções institucionais. “A agenda onde o prefeito não podia ir, eu sempre cumpria. Não entrei como vice para ficar em casa”.

 

Críticas ao comportamento do prefeito

A vice-prefeita também relatou episódios em que o prefeito teria demonstrado desinteresse em reuniões com secretários.


 “Ele dizia que não tinha saco para reuniões e que o Guidolin trataria com os secretários”.

 Com a saída de Carlos Alberto Ferreira, quem assume a Secretaria de Meio Ambiente é o coronel Alexandre dos Santos, que já atuava como subsecretário da Defesa Civil.

 

 
 
 

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