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Urgente: megaoperação no Alemão e na Penha tem 18 mortos em confronto; há policiais feridos

  • Foto do escritor: Carla Kamel
    Carla Kamel
  • 28 de out.
  • 5 min de leitura

Parte dos procurados, pelo menos 30, é do Pará. Traficantes reagiram a tiros e com barricadas em chamas. Pelo menos 2.500 agentes das forças de segurança do RJ tentam prender, nesta terça-feira (28), cerca de 100 traficantes do Comando Vermelho (CV).

Vídeo mostra cenário de guerra e centenas de tiros no Complexo da Penha; Barricadas em chamas em reação à Operação Contenção — Foto: Reprodução/TV Globo
Vídeo mostra cenário de guerra e centenas de tiros no Complexo da Penha; Barricadas em chamas em reação à Operação Contenção — Foto: Reprodução/TV Globo

Até a última atualização desta reportagem, 18 suspeitos tinham morrido em confronto, e 55 pessoas haviam sido presas. Há policiais mortos também, mas o número não havia sido informado pelo governo.


Esta é mais uma etapa da Operação Contenção, uma iniciativa permanente do governo do estado de combate ao avanço da facção por territórios fluminenses. 


Desta vez, as equipes foram para os complexos do Alemão e da Penha, um conjunto de 26 comunidades na Zona Norte do Rio de Janeiro — e onde, segundo as investigações, se refugiam chefes do CV do RJ e de outros estados.


Traficantes reagiram a tiros e com barricadas em chamas — dezenas de colunas de fumaça podiam ser vistas de diversos pontos da cidade. A Polícia Civil afirmou ainda que, em retaliação, criminosos lançaram bombas com drones. Outros fugiram em fila indiana pela parte alta da comunidade, em uma cena semelhante à disparada de bandidos em 2010, quando da ocupação do Alemão.

Agentes das forças de segurança em escadaria no Complexo do Alemão — Foto: Reprodução
Agentes das forças de segurança em escadaria no Complexo do Alemão — Foto: Reprodução

Balanço parcial:

  • 4 suspeitos haviam sido mortos em confronto. Dois eram da Bahia; outro, do Espírito Santo.

  • 1 policial civil morreu baleado. Outros 4 policiais civis e 2 PMs também foram atingidos.

  • Além deles, 3 inocentes foram baleados: um homem em situação de rua foi atingido nas costas por uma bala perdida e levado para o Getúlio Vargas; uma mulher que estava em uma academia também foi ferida, mas já recebeu alta; e um homem que estava num ferro-velho.

  • 55 homens foram presos — 5 foram baleados e internados sob custódia no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.

  • Policiais apreenderam 25 fuzis, 2 pistolas e 9 motos.


Em retaliação à ação policial, criminosos lançaram bombas com drones no Complexo da Penha.

Equipes deixam a Cidade da Polícia na manhã desta terça (28) — Foto: Reprodução/TV Globo
Equipes deixam a Cidade da Polícia na manhã desta terça (28) — Foto: Reprodução/TV Globo

Operador do CV preso

Entre os presos está Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro de um dos chefes do CV, Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso.


O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, afirmou que a operação foi desenhada com antecedência e não contou com apoio do governo federal.

"Toda essa logística é do próprio estado. São aproximadamente 9 milhões de metros quadrados de desordem no Rio de Janeiro", disse.


Santos destacou que cerca de 280 mil pessoas vivem nas áreas afetadas pela operação. “Essa é a realidade. Lamentamos profundamente as pessoas feridas, mas essa é uma ação necessária, planejada, com inteligência, e que vai continuar”, afirmou o secretário.

Impactos

 

Barricadas em chamas em reação à Operação Contenção — Foto: Reprodução/TV Globo

Secretaria Municipal de Saúde informou que 5 unidades de Atenção Primária suspenderam o início do funcionamento e avaliam a possibilidade de abertura nas próximas horas.

Barricada incendiada em rua do Complexo do Alemão durante operação de forças de segurança na manhã desta terça-feira (28) — Foto: Reprodução
Barricada incendiada em rua do Complexo do Alemão durante operação de forças de segurança na manhã desta terça-feira (28) — Foto: Reprodução

Uma clínica da família abriu, mas suspendeu as visitas domiciliares.

Já segundo a Secretaria Municipal de Educação, 28 escolas fecharam no Complexo do Alemão. Na Penha, 17 não abriram.


Secretaria Estadual de Educação informou que 1 colégio precisou ser fechado.

Rio Ônibus avisou que 12 linhas de ônibus estão com seus itinerários desviados preventivamente para a segurança de rodoviários e passageiros.


Desvios na Penha:

  • 312 (Olaria-Candelária)

  • 313 (Penha-Praça Tiradentes)

  • 621 (Penha-Saens Peña)

  • 622 (Penha-Saens Peña)

  • 623 (Penha-Saens Peña)

  • 625 (Olaria-Saens Peña)

  • 628 (Penha-Nova América)

  • 679 (Grotão-Méier)

  • 721 (Vila Cruzeiro-Cascadura)


Desvios no Alemão:

  • 292 (Engenho da Rainha-Castelo)

  • 311 (Engenheiro Leal-Candelária)

  • 711 (Rocha Miranda-Rio Comprido)

PM em escadaria do Complexo do Alemão durante operação na manhã desta terça-feira (28) — Foto: Reprodução
PM em escadaria do Complexo do Alemão durante operação na manhã desta terça-feira (28) — Foto: Reprodução

Alvos de outros estados

A ação desta terça, que também conta com promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), foi deflagrada após 1 ano de investigação pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Parte dos procurados, pelo menos 30, é do Pará.


Participam policiais militares do Comando de Operações Especiais (COE) e das unidades operacionais da PM da capital e Região Metropolitana. Já a Polícia Civil mobilizou agentes de todas as delegacias especializadas, distritais, do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro e da Subsecretaria de Inteligência.


A Operação Contenção conta ainda com helicópteros, blindados e veículos de demolição, além de ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate.

Barricada incendiada no Alemão — Foto: Reprodução
Barricada incendiada no Alemão — Foto: Reprodução

Denunciados

O Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) denunciou 67 pessoas pelo crime de associação para o tráfico, e 3 homens também foram denunciados por tortura.


De acordo com os promotores, o Complexo da Penha, historicamente um ponto estratégico para o escoamento de drogas e armamentos — até por estar localizado próximo a vias expressas —, se tornou uma das principais bases do projeto expansionista do Comando Vermelho pela região de Jacarepaguá.


“O denunciado Edgar Alves de Andrade, o Doca, é apontado como a principal liderança do Comando Vermelho no Complexo da Penha e em outras comunidades da Zona Oeste, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento — algumas recentemente conquistadas da milícia”, disse o MPRJ.


Segundo a denúncia, também exercem liderança na associação criminosa Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala; Carlos Costa Neves, o Gadernal; e Washington Cesar Braga da Silva, o Grandão.


“Eles emitem ordens sobre a comercialização de drogas, determinam as escalas dos criminosos nas bocas de fumo e nos pontos de monitoramento e ordenam execuções de indivíduos que contrariem seus interesses”, destacou a promotoria.


Além deles, foram denunciados 15 homens que exercem funções de gerência do tráfico, responsáveis pela contabilidade, abastecimento e outras funções.

Os outros denunciados, segundo a ação penal, atuavam como “soldados”, realizando o monitoramento e a segurança armada.

Fuzil apreendido na Operação Contenção — Foto: Reprodução/TV Globo
Fuzil apreendido na Operação Contenção — Foto: Reprodução/TV Globo

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Operação reúne 2,5 mil agentes complexos do Alemão e da Penha, no Rio

A ação desta terça, que também conta com promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), foi deflagrada após 1 ano de investigação pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

 

 
 
 

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