Pesquisadora da Unesp de Araraquara participa da descoberta de duas novas espécies de escorpião na Amazônia
Duas novas espécies de escorpião foram descobertas na Amazônia por pesquisadores que participaram de uma expedição realizada há quatro anos na região de Mucajaí, em Roraima, a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista. Entre os cientistas está uma pesquisadora da Unesp de Araraquara.
Os animais foram encontrados nas proximidades da Cachoeira do Evandro e posteriormente identificados em laboratório. As novas espécies receberam os nomes de Brotheas cernii e Cayooca puchus. A descoberta foi publicada recentemente na revista científica internacional Diversity.

Segundo os pesquisadores, os escorpiões apresentam características diferentes das espécies mais conhecidas no Sudeste brasileiro, incluindo diferenças na coloração, no tamanho e no porte, além de particularidades relacionadas à toxicidade do veneno.
A identificação das novas espécies exigiu análises detalhadas em laboratório. Os pesquisadores utilizaram equipamentos de ampliação para observar características anatômicas dos animais e compará-las com informações já existentes na literatura científica.
As coletas ocorreram principalmente durante a noite, período em que os escorpiões deixam seus esconderijos. Para localizar os animais, a equipe utilizou lanternas com luz ultravioleta, que fazem com que os escorpiões brilhem no escuro.

Além de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade da Amazônia, a descoberta pode contribuir para pesquisas na área da saúde. Os cientistas agora analisam as moléculas presentes no veneno das novas espécies em busca de substâncias que possam apresentar potencial farmacêutico.
Segundo os pesquisadores, os venenos de escorpiões possuem diferentes biomoléculas e peptídeos que podem apresentar atividades de interesse científico, inclusive em estudos relacionados a efeitos antimicrobianos e anticancerígenos. No entanto, ainda são necessárias várias etapas de pesquisa para determinar se essas substâncias poderão futuramente contribuir para o desenvolvimento de medicamentos.
Uma das dificuldades é a pequena quantidade de veneno produzida por cada animal, o que exige a coleta e análise de um número maior de exemplares e torna o processo mais demorado.
As duas novas espécies também chamam atenção pelo ambiente em que vivem. Elas foram encontradas em inselbergs, formações rochosas isoladas que se elevam em meio à floresta e funcionam como verdadeiras ilhas ecológicas.
Segundo os pesquisadores, os animais são sensíveis às condições ambientais e apresentam dificuldades de sobrevivência em cativeiro, mesmo quando são reproduzidas condições semelhantes às encontradas na floresta, como temperatura e umidade.
A equipe pretende realizar novas expedições a Roraima para ampliar o conhecimento sobre a fauna da região. Além dos escorpiões, os pesquisadores também planejam investigar outras espécies, incluindo aranhas e barbeiros.
A descoberta reforça a importância das pesquisas científicas na Amazônia, uma região que ainda guarda espécies desconhecidas e que pode oferecer novas possibilidades para estudos sobre biodiversidade e desenvolvimento de futuros tratamentos médicos.
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