Laudo do IML aponta que menina morta pela companheira do avô foi estrangulada

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) emitido nesta sexta-feira (20) apontou que Sophia Emanuelly de Souza, de 3 anos, morreu por asfixia mecânica por estrangulamento. O avô dela, José dos Santos, de 42, e a mulher dele, Karen Tamires Marques, de 33, estão presos preventivamente por suspeita de envolvimento no crime.
Segundo o delegado seccional Sebastião Vicente Picinato, com a causa da morte confirmada, muda a tipificação do crime.
"Foi confirmado que a causa da morte foi asfixia mecânica por estrangulamento. Muda o cenário da investigação, houve tortura, que é imputado aos autores, e agora também tem mais o homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, ou seja, não gostar de alguém lhe dá o direito de matar esse alguém? Nós tivemos a questão da asfixia, que é um meio cruel, matar uma criança asfixiada, e também impossibilidade de defesa dessa criança contra os seus agressores".
O caso aconteceu na noite de terça-feira (17), em Ribeirão Preto (SP), quando a menina foi levada pelo avô à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Avenida Treze de Maio. José chegou a dizer que ela tinha passado mal e vomitado durante o trajeto, mas, segundo o pediatra de plantão, Sophia já estava morta quando deu entrada na unidade.

Ainda de acordo com o laudo, a menina era vítima de maus-tratos com frequência, porque tinha hematomas de diferentes colorações, o que indica que foi agredida em diversos momentos ao longo dos últimos anos.
A defesa de José afirma que ele é inocente e que vai recorrer da decisão da Justiça de mantê-lo preso preventivamente. A Defensoria Pública, que representa Karen, disse que, como de praxe, não se manifesta publicamente acerca de processos criminais em andamento. O corpo de Sophia ainda está no IML aguardando algum familiar para a liberação. Por causa disso, não há previsão de sepultamento.
Criança chegou morta à UPA
Sophia foi levada pelo avô para a UPA da Avenida Treze de Maio na noite de terça-feira (17). A criança foi atendida pelo pediatra que estava de plantão, que disse que ela já chegou morta e acionou a polícia.
Aos médicos, José chegou a dizer que a neta estava passando mal e vomitou durante o trajeto até a UPA, versão contestada pelo delegado.
"Ele faltou com a verdade em dizer que a criança havia vomitado, ou seja, quis criar uma situação para espiar a culpa, mas, na verdade, reforça mais a ideia de que ele é coautor".
José e Karen foram presos em flagrante na quarta-feira (18). No mesmo dia, eles passaram por audiência de custódia, onde a prisão preventiva foi decretada.
Karen confessou que não gostava da menina e que a esganou porque ela não queria comer, o que reforça a suspeita de que ela tenha causado a morte. Já o avô é suspeito de ser coautor do crime, por permitir que essa situação ocorresse. A Polícia Civil avalia se eles responderão por tortura e homicídio ou por tortura que teve como resultado a morte, conduta prevista na Lei dos Crimes Hediondos.
"Uma violência contra uma criança, independentemente do resultado de morte, é uma agressão que viola todos os direitos humanos, é uma agressão à sociedade. É uma coisa que entristece muito, revela um lado muito ruim do ser humano", diz o delegado.
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