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'Jamais tiraria a própria vida', diz mãe de policial militar encontrada morta com tiro na cabeça em SP

Foto do escritor: Carla Kamel
Carla Kamel
24 de fev.
3 min de leitura

A mãe da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos e que foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava, no Brás, região central de São Paulo, disse que a filha não tiraria a própria vida.

Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos. — Foto: Montagem/g1/Arquivo pessoal
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos. — Foto: Montagem/g1/Arquivo pessoal
"Jamais tiraria a própria vida. Ela tinha sonhos e planos. O sonho dela era viver e dar o melhor para a filha. Era muito amorosa. Só tinha amor e amava a vida, e todo dia minha filha dizia que sofria violência psicológica”, afirmou à TV Globo.

Gisele morreu na manhã da última quarta-feira (18). Ela vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, e deixou uma filha de sete anos, de um relacionamento anterior. O casal estava junto desde 2014.


Segundo o boletim de ocorrência, o oficial estava no imóvel no momento do disparo. Ele relatou que tomava banho quando ouviu um barulho e, ao sair, encontrou a esposa caída no chão, com uma arma na mão e sangramento intenso. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio.


A natureza da ocorrência foi alterada após o depoimento da mãe da vítima, que afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo e sofria violência psicológica.


Segundo a mãe, a carreira na Polícia Militar era um objetivo antigo. Com apoio da família, Gisele ingressou na corporação como soldado em 2014. “Eu dei a maior força quando ela começou. Ela ficou muito feliz com a conquista”, lembrou.


Ainda de acordo com Marinalva, a filha era vaidosa, mas se sentia oprimida pelo marido. O tenente-coronel, segundo ela, a proibia de usar batom e salto alto. Gisele também deixaria frascos de perfume no quartel para que o companheiro não percebesse.


“Ela o conheceu no primeiro batalhão. Pelas coisas que comentava, eu já via que não ia dar certo desde o começo. Fui dando conselhos, alertando, mas não teve jeito”, disse a mãe. Dias antes da morte, segundo a família, Gisele teria pedido ajuda para se separar. “Ela ligou chorando e disse: ‘pai, vem me buscar’”, contou José Simonal Teles de Santana, pai da policial.


Gisele foi enterrada na manhã de sexta-feira (20), em Mogi das Cruzes. Familiares afirmam que ela se preparava para assumir um trabalho no Tribunal de Justiça.

Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos. — Foto: Reprodução
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos. — Foto: Reprodução

Versão do marido

Após ser encontrada no chão do quarto com tiro na cabeça pelo marido, Gisele foi levada ao Hospital das Clínicas, onde não resistiu aos ferimentos. O caso é investigado pelo 8° Distrito Policial do Brás e é acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar. Por enquanto, o tenente-coronel não é considerado suspeito.


Em depoimento, o tenente-coronel relatou que o relacionamento do casal era conturbado e que, naquela manhã, havia ido ao quarto da esposa para propor a separação.


Segundo o oficial, ele teria sido alvo de boatos de colegas que teriam inventado um suposto relacionamento extraconjugal. O boato, segundo ele, chegou até Gisele e provocou crises de ciúmes. As discussões teriam se tornado frequentes, e o casal passou a dormir em quartos separados.


Segundo ele, após uma discussão, entrou no banheiro e, cerca de um minuto depois, ouviu o barulho que inicialmente interpretou como o de uma porta batendo. Ao sair, disse ter encontrado Gisele ferida.


O tenente-coronel declarou que mantém uma arma de fogo sobre o armário no quarto onde dorme, que foi usada na morte de Gisele.

 
 
 

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