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Ex-número 3 da Fazenda de SP é preso em operação que investiga esquema bilionário de propina

Foto do escritor: Deyvi souza
Deyvi souza
há 6 dias
3 min de leitura

O ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), André Weiss, foi preso nesta quinta-feira (3) durante a Operação Caldarium, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A investigação apura um suposto esquema de pagamento de propinas envolvendo créditos tributários.

Andre Weiss (esquerda) e o advogado João Buttini — Foto: Reprodução
Andre Weiss (esquerda) e o advogado João Buttini — Foto: Reprodução

Segundo a investigação, Weiss, que ocupava uma das posições mais importantes da Sefaz-SP durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas, foi responsável pela escolha de um grupo de fiscais encarregado de revisar processos relacionados ao ressarcimento de ICMS retido por substituição tributária envolvendo as empresas Ultrafarma e FastShop.


De acordo com documentos citados na investigação, em 14 de agosto de 2025, Weiss nomeou oito fiscais para atuar na revisão de processos, protocolos e procedimentos relacionados aos ressarcimentos tributários dos dois grupos empresariais.


Entre os fiscais escolhidos estava Arthur Rafael Gatti Alvares, que também passou a ser citado nas investigações sobre possíveis fraudes tributárias dentro da Secretaria da Fazenda.

Os ex-auditores fiscais de São Paulo Artur Gomes da Silva Neto, Alberto Toshio Murakami e Paulo Sérgio Siqueira do Prado. — Foto: Montagem/g1/Reprodução/TV Globo
Os ex-auditores fiscais de São Paulo Artur Gomes da Silva Neto, Alberto Toshio Murakami e Paulo Sérgio Siqueira do Prado. — Foto: Montagem/g1/Reprodução/TV Globo

A apuração também relaciona o caso a outros auditores fiscais, incluindo Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como "Rei Artur", e Alberto Toshio Murakami, apelidado de "Americano". Os dois são investigados por envolvimento em um esquema relacionado a Ultrafarma e FastShop.


Áudios e suspeitas


Os investigadores encontraram no celular do chamado "Rei Artur" um áudio de um almoço de negócios em que participam Arthur Gatti e André Weiss.


Na gravação, realizada em julho de 2023, Weiss teria demonstrado preocupação com a possibilidade de ser preso e algemado e também comentado sobre a necessidade de evitar ostentação de bens que pudesse chamar a atenção das autoridades.

Decreto publicado por André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP), preso nesta quinta-feira (3) durante a chamada Operação Caldarium — Foto: Reprodução/DOESP
Decreto publicado por André Weiss, ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP), preso nesta quinta-feira (3) durante a chamada Operação Caldarium — Foto: Reprodução/DOESP

Segundo o Ministério Público, a conversa seria um dos elementos que indicariam que práticas de corrupção estavam disseminadas dentro da estrutura investigada.


Movimentações milionárias


O Ministério Público também identificou movimentações bancárias consideradas incompatíveis com os rendimentos de Weiss como servidor público.


Segundo o relatório citado na investigação, foram identificadas movimentações de aproximadamente R$ 1,6 milhão no Santander, em dezembro de 2021; cerca de R$ 2,6 milhões no Banco do Brasil, em maio de 2023; e mais de R$ 2,4 milhões na Caixa Econômica Federal, em novembro de 2023.


Os promotores afirmam que os valores seriam incompatíveis com os vencimentos recebidos pelo ex-dirigente da Fazenda e poderiam estar relacionados ao recebimento de propina investigado no caso.


Suspeita de ocultação de patrimônio


Outra frente da investigação trata de possíveis mecanismos utilizados para ocultação de patrimônio.


Segundo os promotores, diversos bens e despesas relacionados a Weiss estariam registrados em nome de familiares, principalmente de sua esposa, Beatriz Sbrissa Lucafó.


A investigação identificou imóveis de alto valor nas cidades de São Pedro, Piracicaba, Jundiaí e Rio das Pedras, no interior de São Paulo. Alguns desses imóveis, segundo os investigadores, teriam sido adquiridos com pagamento em dinheiro.


Herança milionária


Os promotores também analisaram um inventário relacionado ao pai de André Weiss, Eugen Weiss.


Segundo os documentos citados na investigação, o inventário foi encerrado em julho de 2023 e registrou aproximadamente R$ 99,9 milhões em bens destinados ao filho.


O Ministério Público questiona o valor declarado, apontando que ele seria incompatível com o perfil financeiro conhecido do pai, que era engenheiro aposentado, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas e escritor.


Ainda segundo os investigadores, o cartório teria comunicado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) um valor significativamente menor para o inventário, de aproximadamente R$ 579 mil, com valor fiscal de R$ 223 mil.


Para os promotores, a diferença pode indicar uma possível utilização da herança para dar aparência de legalidade a recursos de origem ilícita. Essa hipótese ainda integra a investigação.


Delação premiada


A operação também tem como um dos elementos o acordo de colaboração premiada firmado pelo ex-auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como "PP", com o Ministério Público de São Paulo.


Segundo a investigação, o ex-auditor teria relatado um esquema envolvendo o pagamento de aproximadamente R$ 4,5 milhões em propinas, que seriam entregues em mochilas.


A colaboração é utilizada pelos investigadores para tentar esclarecer como funcionaria a estrutura de corrupção dentro da Secretaria da Fazenda e identificar o papel de outros envolvidos.


Defesa


Até a última atualização das informações, a defesa de André Weiss ainda não havia se manifestado sobre a prisão e as acusações apresentadas pelo Ministério Público.


As suspeitas fazem parte de uma investigação em andamento e ainda deverão ser analisadas pela Justiça. A prisão e as acusações não representam, por si só, uma condenação definitiva.


A Operação Caldarium segue em andamento, e novas medidas poderão ser adotadas pelas autoridades conforme o avanço das investigações.

 
 
 

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